LEGENDAS PARA FOTOS QUE NÃO FIZ


Sandra Eliane Radin

DUBAI: Debruçada no deck do sexto andar do navio, observo as luzes da cidade enquanto a lua se enamora de seu próprio reflexo nas águas do mar, penso nos vários quartetos de mulheres, cobertas dos pés as cabeças, ao lado do marido trajando túnica branca contrastando com o negro das suas vestes. Os vi no souk a comprar jóias. De imediato me apercebo que o preto esta ali a representar a dor e o luto da alma daquelas mulheres mesmo estando cobertas com as jóias mais exuberantes que se possa imaginar.

DOHA, QUATAR: Viver ou morrer, prosseguir ou desistir são tantos os verbos e tantas as possibilidades que sinto um frio a percorrer meu corpo. Na tentativa de encontrar o Restaurante Parisi, comida persa, que me foi recomendado, tropecei no meio fio da calçada, bati a cabeça numa placa e cai estatelada no chão. Ninguém me socorreu, sequer perguntaram como eu estava ou se havia alguém comigo.
Isso é cultural.Que cultura! Não a quero para mim.

KHASAB, OMÃ: Descemos, minhas amigas e eu, apressadas como os demais passageiros do navio, em busca da melhor oferta de passeio que nos levasse de barco pelos fiordes árabes, com direito a avistar golfinhos e ainda dar um mergulho naquela águas límpidas e transparentes tal a uma enorme esmeralda. Passeio contratado meio ao tumulto dos árabes disputando turistas quase a tapas. Embarcamos numa camionete e seguimos rumo ao local que tomaríamos a embarcação. Observando a região bastante montanhosa, árida e seca onde só o que se avistava eram cabras por toda a parte naquele inesgotável deserto, penso ter compreendido o desespero daqueles homens de túnicas rosas em nos vender o passeio.Seria talvez essa a sua única fonte de renda: a chegada de cruzeiros?

POSTOJNA CAVE: Cerca de 50 quilômetros da graciosa Libijiuana , a encontrei ou ela me encontrou. Não tenho muita clareza de quem encontrou quem. Complexo de cavernas, rios que sussurram e pedem silêncio e reverência em seu templo, montanhas e salões deslumbrantes a ostentar magníficos lustres -estalactites e estalagmites - formadas a partir do chão para cima -, esculpidos pela ação da natureza através do gotejamento de água das paredes das cavernas por milhares de anos. É um espetáculo tanto o que brota do chão ou esta suspenso no teto.
Sinceramente ao me deparar com um cenário mágico de contos de fadas sussurrei; Aqui é o mundo maravilhoso onde o invisível perpassa o visível.

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Sandra Eliane Radin

E-mail: radinser@hotmail.com

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